O arrependimento é algo difícil a ser tratado.
É uma das coisas mais difíceis de se conviver, e, embora muita gente diga que nunca se arrepende do que faz, cada pessoa tem o seu, mesmo lá no fundo, encoberto com camadas espessas de orgulho, ele ainda continua ali, ele está ali, ele “é” ali.
Poucas coisas são capazes de liquidar um arrependimento, uma dessas é o perdão (que não vem sempre) e a outra é a chance de refazer, que também não é freqüente, aliás, muito menos freqüente que o perdão, isto é, se ela aparecer, não a deixe escapar; a conseqüência será um arrependimento dobrado.
De todos os arrependimentos que uma pessoa pode ter, em minha opinião, nenhum é pior que de não ter feito, não ter realizado, de não ter ido, de não ter sido, de não ter amado, de não ter aproveitado, quando ela teve a oportunidade.
Conviver com o arrependimento é difícil, mas quando ele está acompanhado da dúvida, é quase, se não, insuportável. Nada mais angustiante do que se pegar pensando no famigerado “e se...”
É simplesmente ruim quando você pensa nas inúmeras possibilidades que resultariam aquela atitude que você não tomou.
Certamente a razão de você não ter tomado essa atitude foi o medo, o medo de se arriscar, medo do que poderia vir depois, e por causa desse medo acabou não vindo nada.
É estranho pensar que quase tudo nessa vida é único e momentâneo, e mesmo sabendo isso, nós deixamos escapar coisas realmente importantes e únicas e, por quê? Pelo simples fato de sermos humanos, e que por isso já viemos com um pacote de emoções e nele está incluído o medo. Não que o medo seja de exclusividade humana; praticamente todos os animais o têm, porém, neles o instinto é conservado, e isso os faz arriscar, enquanto em nós, o mesmo parece que é reprimido e esquecido. Já percebeu o quanto uma criança de 4 anos pode ser sincera, sem nenhum medo ou receio de falar o que pensa, enquanto uma de 10 já é bem comedida com as palavras, e uma pessoa adulta chega até a tolerar a maioria dos acontecimentos com bastante hipocrisia?
Isso é o nosso instinto que parece ser podado com o tempo, sobrando no final só um pequeno resquício do que era no inicio.
É a falta deste instinto que às vezes nos faz vacilar ante algumas escolhas, e são essas escolhas não feitas que se transformam em arrependimentos tempos depois.
Resumindo: não é sempre que você terá uma segunda chance, então tente não deixar escapar de primeira; o arrependimento são duas pedras muito pesadas, que você tem que carregar no coração, na mente ou em ambos.